Entre Fragmentos

“La vida del hombre como comentario de un hermético e inconcluso poema" V.N.

O fumo dos mundos


Escrevia o escritor Enrique Vila-Matas duas semanas atrás no suplemento literário do El País sobre uma experiência pessoal em que a realidade e a ficção se misturam de tal maneira que afirma que não sabe sentir se não é através das sensações intelectuais. Disse, no texto, que os poetas contam com um caminho mental que desenha o fumo de um mundo paralelo que dá a vantagem de andar abstraído em descrença para poder ver a vida real.

O fragmento lembra Na floresta do alheamento de Fernando Pessoa, um texto em que podemos ler que no real do escritor coexistem algemadas as duas realidades, como dois fumos que se misturam. Vila-Matas afirma que nestes escritores é perceptível uma espécie de passo atrás em relação ao mundo, um passo estranho que os separa da realidade. Mas, sem esse passo seria difícil de entender, porque, paradoxalmente, os ajudou a sobreviver e a ser falsos conhecedores da vida, contadores de histórias incríveis, grandes idiotas, no fundo, seres convencidos de que a verdade tem estrutura de ficção.

Assim, lemos em Pessoa, desconhecíamo-nos. Como se houvéssemos aparecido às nossas almas depois de uma viagem através de sonhos… Tínhamo-nos esquecido do tempo, e o espaço imenso empequenara-se-nos na atenção. Fora daquelas árvores próximas, daquelas latadas afastadas, daqueles montes últimos no horizonte haveria alguma coisa de real, de merecedor do olhar aberto que se dá às coisas que existem?

Estes escritores, escindidos, entrer dos mundos, são os verdadeiros artistas, capazes de situar-se na fronteira da linguagem e trascende-la em forma de arte através da escrita.

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Esta entrada fue publicada en diciembre 1, 2011 por en Escritores y etiquetada con , .

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De la misma manera que el narrador de Pálido fuego apuntaba: nuestro poeta sugiere aquí que la vida humana no es sino una serie de notas a pie de página de una vasta y oscura obra maestra inconclusa,Entre Fragmentos nace como un espacio de reflexión interdisciplinar. Diego Giménez.
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